Crônica – Me chamam de amor
Me chamam de amor.
No início, não entendia muito bem o porquê. Achava que era apenas uma forma bonita de dizer algo simples, quase como um apelido que se aceita sem questionar.
Mas, com o tempo, comecei a perceber…
Talvez não fosse o que diziam.
Talvez fosse o que viam.
Vejo luz.
Não aquela que se explica, nem a que se mede. Mas uma luz que aparece nos pequenos gestos, nos encontros inesperados, nos silêncios que acolhem.
Vejo flor.
E não apenas nos jardins. Vejo flor nas pessoas, nos olhares cansados que ainda tentam sorrir, nas histórias que insistem em florescer mesmo quando tudo parece seco.
Me chamam de terna.
E talvez seja verdade.
Porque gosto de plantar.
Plantar palavras, plantar presença, plantar cuidado.
Planto flor na terra…
mas também planto em gente.
Me chamam de quente.
E eu sorrio.
Porque abraço.
Abraço com o corpo, com o olhar, com a escuta. Abraço todos os dias muita gente — algumas de perto, outras apenas com o coração.
E, no fim, entendo…
Não é sobre como me chamam.
É sobre como escolho existir.
Entre luz e flor.
Entre gesto e presença.
Entre o que dou… e o que sou.
Se me chamam de amor…
talvez seja porque, em algum lugar,
eu aprendi a ser.
Sândra Camilo
#Amo #LuzEFlor





